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Revista da Câmara Municipal de Ourique

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CASTELO DE OURIQUE 

A edificação do Castelo de Ourique, estrutura militar lendária e que ainda hoje preenche memórias, deve-se aos muçulmanos. Este castelo terá, com toda a probabilidade, alternado várias vezes entre o Crescente e a Cruz, consoante a sorte de armas. Nos tempos da reconquista teria um papel essencialmente de atalaia defensiva, tendo como guarda avançada o Castro da Cola. Uma das referências mais importantes ao Castelo de Ourique é feita pelo cronista árabe Ahmed Benmohmed Arrazi que, no século X, se lhe refere como um dos mais fortes do termo de Beja.
      

   

IGREJA MATRIZ DE OURIQUE

Templo de arquitectura maneirista, barroca e rococó, foi reconstruída no séc. XVIII a mando de D. João V.
Destaque para a elegância da sua fachada principal, com trabalhos de argamassa de feição rococó.
No seu interior o Barroco afirma-se já plenamente pujante nas grandes estruturas de talha dourada e policromada que extravasam dos retábulos, prolongando-se pelo arco triunfal, cornijas e sanefas. Na frontaria, de remate delicadamente rococó, sobressai a composição assimétrica das armas reais, dialogando com a traça das torres sineiras, tão amplamente utilizada no mesmo período estilístico.

IGREJA DA MISERICÓRDIA

(Praça D. Dinis)

Construída no séc. XVI, possui um conjunto de portais de grande depuração classicizante, que denotam a poderosa influência da tratadística italiana. O portal localizado à esquerda apresenta verga recta adintelada assente em pilastras toscanas e é precedido por dois degraus.
O portal da direita evidencia a inscrição "TOS.OS OS O QvVERDES SE DE VIDE AS AGOAS P O HOI CHI MIDO" (“Todos os que houverdes sede vinde às águas”).

TORRE DO RELÓGIO

(Praça D. Dinis)

Construída em meados do séc. XIX, esta torre sineira tem uma planta quadrangular, coberta por cúpula escalonada e bolbosa, rematada por um cata-vento de ferro com a forma de bandeira.
É formada por dois pisos separados por cornija de argamassa e enquadrados por pilastras. O piso superior é rasgado por olhal em arco de volta perfeita. No alçado principal, rasga-se a porta de acesso. No piso superior, de frente para a Praça, destaca-se o mostrador quadrangular do relógio, de cantaria, com numeração árabe e ponteiros de metal.


IGREJA MATRIZ DE GARVÃO 

(Garvão - Largo da Igreja)

Construída no séc. XVI, de arquitectura manuelina, tem uma planta longitudinal, característica dos pequenos templos edificados no Baixo Alentejo durante o reinado de D. Manuel I.
Destaca-se a qualidade plástica do seu portal principal e as abóbadas de cruzaria de ogivas com chaves e mísulas de cantaria, de requintado lavor, numa das quais se insere, em sítio bem visível, a cruz da Ordem de Santiago.


IGREJA DE SÃO ROMÃO 

(Adro da Igreja, São Romão)

Igreja de peregrinação, construída provavelmente no séc. XVIII.
Nos inícios do séc. XIV, D. Vataça Lescaris, princesa de origem bizantina é donatária do termo de Panóias e oferece as relíquias osteológicas que existem na ermida.
Templo barroco, possui uma só nave e capela-mor, totalmente abobadada, com sacristia adossada e o seu alçado principal corresponde a uma variante habitual nos santuários de peregrinação do Baixo Alentejo que ascende aos finais da Idade Média.
A capela-mor é integralmente decorada em talha dourada e policromada de grande qualidade plástica. A sua sumptuosidade contrasta fortemente com o total despojamento do edifício, que constitui uma caixa rectangular, de tradição popular. A presença de armários-relicário integrados no retábulo e a existência de uma pequena cripta com acesso pela mesa de altar são aspectos que individualizam este imóvel. 
 


CIRCUITO ARQUEOLÓGICO DO CASTRO DA COLA

O Castro da Cola fica junto da ribeira do Marchicão e próximo do rio Mira, e começou a ser ocupado nos inícios da Idade do Bronze. Classificado como Monumento Nacional, o seu dispositivo defensivo completava-se por cercas muralhadas, das quais ainda existem vestígios. Integra-se no Circuito Arqueológico do Castro da Cola, constituído por vários monumentos megalíticos, povoados calcolíticos e necrópoles das Idades do Bronze e do Ferro.
 

Mais informação sobre o Castro da Cola


SANTUÁRIO DA NOSSA SENHORA DA COLA

Igreja de Nossa Senhora da Cola

Construída em inícios do séc. XVII, no séc. XVIII viu ser construído o retábulo do altar-mor e no séc. XIX foi ampliada com acrescento do nártex, torres sineiras e retábulos laterais. Singulariza-se pela sua escala e monumentalidade, dentro da tipologia habitual nos santuários de peregrinação do Alentejo. Apresenta uma planta longitudinal, enquadrada por duas torres sineiras, nave e capela-mor mais estreita, a que se adossa à esquerda a sacristia, uma dependência de acesso ao púlpito. No interior, arco triunfal de volta perfeita, com acesso por degrau, revestido por painéis de talha dourada e policromada, encimado pelas armas reais. A Capela-mor é coberta por abóbada de berço que arranca de cornija, sendo o retábulo-mor de talha dourada e policromada com tribuna e trono; o conjunto é enquadrado por duas colunas de cada lado, com dois painéis representando a "Anunciação " e a " Adoração dos Pastores ".
Este santuário foi desde muito cedo um dos lugares de peregrinação mais importantes do Baixo Alentejo. No início do séc. XVIII, temos a informação de que a sua Romaria era já a mais importante, sendo organizada pelos grandes proprietários da região.
Romaria anual a 8 de Setembro.


CERRO DO CASTELO/FORTE DE GARVÃO 

O Cerro do Castelo de Garvão teve ocupação humana pelo menos desde o Bronze final, tendo aí sido encontrados muitos vestígios de romanização e ocupação continuada durante o período árabe. A vila medieval desenvolveu-se nas suas encostas Sul e Este.
Na vertente do lado nascente, foi encontrado um importante depósito secundário de oferendas e ex-votos, constituído na 2ª metade do séc. III a.C., certamente incluído numa estrutura de carácter religioso mais complexa.
A existência de inúmeras placas oculadas em ouro e prata apontam para o culto de uma divindade com poderes profilácticos nas doenças de olhos; as peças utilitárias podem ter contido oferendas alimentares, as taças podem ter sido usadas para libações ou como queimadores ou lucernas.
Este depósito votivo foi constituído numa fossa artificial talhada na rocha e foi intencionalmente coberto por grande número de peças fragmentadas misturadas com grandes blocos de quartzo e terra. Na base assentava uma caixa com um crânio humano com indícios de trepanação, rodeado por ossos de animais e fragmentos de cerâmica pisados. Sobre ela assentavam grandes vasos cerâmicos, cheios de outros recipientes menores alguns contendo pequenos objectos em cerâmica, ouro, prata, vidro, coralina e bronze; os espaços entre eles era ocupado por outros recipientes menores.


CHAMINÉS DA CONCEIÇÃO 

As chaminés mouriscas, um sinal de transição entre o Alentejo e o Algarve marcam a arquitectura da freguesia da Conceição.
 

MOINHOS DE SANTA LUZIA

Onde a planície se funde com a serra, os moinhos de Santa Luzia dominam a paisagem e merecem uma visita mais atenta.
 

MEDRONHO DE SANTANA DA SERRA

Na freguesia de Santana da Serra delicie--se com o elixir ali preparado, o medronho, artesanalmente confeccionado pelas mãos hábeis de quem esconde segredos jamais revelados.

IGREJA DE SANTANA DA SERRA

Igreja Paroquial de Santana da Serra
(Rua da Igreja)

Este edifício religioso foi construído em 1515, segundo as Visitações da Ordem de Santiago, primeiramente como ermida, tendo sido reformado no séc. XVIII. No séc. XIX viu ser construída a torre sineira do coro-alto.
Em termos arquitectónicos, enquadra-se na vertente popular barroca e, quanto à planta, esta é longitudinal de nave e capela-mor rectangular, filiando-se nos modelos tradicionais da arquitectura regional, desenvolvendo uma tipologia muito simplificada dos modelos do Barroco meridional.
Apresenta como características particulares a pia de água benta manuelina, reaproveitada da primitiva igreja matriz, bem como o retábulo-mor evidenciando uma interpretação popular da tradição de finais do séc. XVIII e o altar-mor de talha dourada e policromada.

 

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Ambiente
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